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annie_moura

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  • Chico Xavier: Amor sem fim
    17 de maio de 2011 | 09:09 O filme Chico Xavier, de Daniel Filho, reacendeu a memória desse grande líder espírita brasileiro. Um homem simples e amoroso que abdicou dos louros da fama para curar, alimentar e consolar milhares de necessitados. Em troca, recebeu o respeito e a admiração de todos, embora jamais tenha desejado recompensa alguma.
    Texto • Raphaela de Campos Mell
    Sem nenhuma pretensão de virar mito ou celebridade, longe disso, o médium mineiro Francisco Cândido Xavier fez história. Cumpriu sua missão na Terra com a disciplina e a humildade dos iluminados, apesar de ter refutado essa condição inúmeras vezes. Dizia ser um mero servo de Deus ou, com o bom humor característico, “uma tomada entre dois mundos”. Uma alma especial, na visão de devotos e simpatizantes que até hoje, quase nove anos após sua morte, o reverenciam com gratidão.

    O coração de Chico foi grande o suficiente para acolher o sofrimento das pessoas. Em especial, pais e mães inconsolados pela morte de seus filhos. Com igual doçura e compaixão, abraçou pobres, doentes, famintos, desesperados. A caridade era a pedra fundamental de sua rotina humanitária. Dia e noite. Sempre pronto a atender quem batesse à sua porta em busca de ajuda. “Quando Chico vem ao hospital, é como se Jesus chegasse”, disse, certa vez, uma amiga enfermeira.

    Outros tantos depoimentos e passagens surpreendentes recheiam o livro As Vidas de Chico Xavier – Biografia Definitiva (ed. Leya). Escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior, a obra deu origem ao filme Chico Xavier, sucesso de público dirigido por Daniel Filho. Mesmo “protegido” pelo distanciamento profissional, Marcel confessa não ter conseguido segurar as lágrimas ao conhecer pessoalmente o objeto de sua pesquisa. Não quis entender. Deixou a emoção seguir seu curso. Mais tarde descobriu que a simples presença do médium comovia boa parte dos visitantes. Houve até quem beijasse seus pés.

    O fato é que, ao longo de seus 92 anos de vida, 74 deles dedicados à atividade mediúnica, o filho da minúscula Pedro Leopoldo, cidadezinha a 35 quilômetros de Belo Horizonte, não só colocou em prática o lema cristão “Dar sem esperar nada em troca”, como se tornou o grande difusor do espiritismo no Brasil. Os números são impressionantes: mais de 400 livros psicografados e mais de 30 milhões de exemplares vendidos. A renda dos direitos autorais? Doada para instituições beneficentes.
    O escolhido

    Seu destino estava traçado. Vida longa e dedicada ao próximo, com total intervenção do plano superior. Desde cedo, Chico se comunicava com o mundo dos espíritos.

    Aos 5 anos, conversava com sua falecida mãe, Maria João de Deus. Ouvia dela: “Paciência, meu filho, muita paciência, pois esse martírio logo acaba”, referindo-se aos maus tratos praticados contra ele pela madrinha Rita de Cássia, sua tutora. Na escola, mais confusão. Ninguém entendia como textos rebuscados poderiam preencher os cadernos do garoto franzino. Ele dizia a verdade: “São vozes que escuto”. A zorra estava armada.

    A infância pobre transcorreu sob o fantasma do desajuste, do estranhamento. Seu próprio pai, João Cândido Xavier, o taxava de louco. Na rua, olhares de desaprovação e fofoca. Na igreja, rezas e penitência para espantar o diabo. Em casa, surras em série. Aos 17 anos, atendente de armazém, quase 14 horas de trabalho diário, foi descoberto por um casal de espíritas. A dupla se deslocou de longe para curar uma de suas irmãs, ofertandolhe orações e passes. Reconheceram dons sobrenaturais no adolescente, que olhava assustado para a cena. Foram seus primeiros professores.

    Quatro anos depois da iniciação, em 1931, quando trabalhava a todo o vapor nas horas vagas como “tradutor e intérprete” do além, Chico recebeu a visita de seu mentor espiritual, Emmanuel. Espírito antigo, culto e exigente. Dali em diante seriam inseparáveis. Mas, desde o primeiro minuto, o discípulo soube que não seria nada fácil corresponder à severa ética de trabalho de seu mestre, cujo mantra era: disciplina, disciplina e disciplina.

    Sob a orientação de Emmanuel, o médium mineiro psicografou livros atrás de livros. Varava noites para dar conta dos prazos estipulados por seu superior. Dormia, pasmem, de três a quatro horas por dia. As dores nos olhos, em decorrência de uma catarata, não aliviavam seu fardo. Se reclamava ou lamentava, seu “chefe” retrucava: “Há tanta gente em situação muito pior que a sua. Prossiga”.

    Talento e fé

    Nos anos 40, 50 e 60, Chico dedicou sua pena frenética à produção literária. Psicografou poemas e artigos “ditados” por renomados literatos falecidos, entre eles, Castro Alves, Eça de Queiroz, Augusto dos Anjos e Humberto de Campos. A crítica da época ficava dividida. Alguns diziam tratar-se de um estranho caso psíquico. Outros reconheciam a fidelidade ao estilo dos artistas e se curvavam diante do mistério. Chico acostumou-se a viver na berlinda. Diversas suspeitas de fraude recaíram sobre ele no decorrer dos anos. Nenhuma se confirmou.

    Também faziam sucesso as obras “prescritas” pelo espírito do médico André Luiz. A mais famosa, Nosso Lar (ed. Federação Espírita Brasileira) virou sucesso de bilheteria nos cinemas em 2010. Poucas eram as mensagens enviadas por desencarnados anônimos. Só a partir de 1967, já instalado na cidade de Uberaba, Minas Gerais, onde permaneceu até a morte, em 2002, Chico passou a intermediar com frequência o contato entre os mortos e seus parentes vivos por meio de cartas por ele psicografadas. Começava sua emocionante obra: consolar a única perda destituída de nomeação, a perda de um filho. A todos os que o procuravam aos prantos, compartilhando essa dor irreparável, ele acalmava dizendo com sua doce voz: “A morte não existe”.

    “Além de sua capacidade mediúnica extraordinária e de seu absoluto desapego material, ele era, sobretudo, uma pessoa amorosa. Dedicou sua vida a ajudar os outros e a colocar palavras onde não há palavras – na morte”, diz a cineasta Cristiana Grumbach, diretora do documentário As Cartas Psicografadas por Chico Xavier. O filme apresenta o tocante depoimento de pais e mães que encontraram nos documentos mediúnicos avalizados por Chico alento para seguir em frente após o luto.

    Apelidos, nomes e sobrenomes, referências íntimas e declarações de amor expressas nessas cartas, guardadas como relíquias pelos familiares, fizeram com que as pessoas, além de aplacar a dor da perda, se convertessem ao espiritismo. Pudera, a grande maioria das mensagens reitera aos que ficaram a inexistência da finitude. Para se referirem à vida após a morte, os autores dos recados se valem de expressões como: “A morte é a vida numa nova moldura”, “A morte não é ponto final, mas ponto e vírgula”, “A morte é uma troca de roupa. Deixamos uma roupa usada e ganhamos uma nova e melhor”.

    Foram votos de esperança como esses que impulsionaram Chico a seguir trabalhando em prol de seu semelhante até os 92 anos de idade. “A dor dessa gente me penetra em toda a alma”, disse em 1985. Há décadas debilitado pela angina (dor no peito) e por sucessivas pneumonias, além da catarata, cumpriu, ainda que cambaleante, sua palavra até o final. Disse que morreria no dia em que o povo brasileiro estivesse exultante. Esse dia chegou: 30 de junho de 2002. Ele partia e o futebol brasileiro se tornava pentacampeão mundial. “Chico viveu na contramão do individualismo e do materialismo, movido por três forças raras e poderosas: o sentido de missão, o sentido de aceitação e o sentido de doação”, afirma seu biógrafo, Marcel Souto Maior. “Chico é o Amor, no sentido mais pleno dessa palavra e para muito além do que ela pode expressar”, diz Cristiana.

    “Além de sua capacidade mediúnica extraordinária e de seu absoluto desapego material, ele era, sobretudo, uma pessoa amorosa.”

    Cristiana Grumbach, diretora do documentário “As Cartas Psicografadas por Chico Xavier”


    Pílulas de afeto

    Encante-se com estes ensinamentos extraídos do livro
    O Evangelho de Chico Xavier (Mundo Maior Editora).

    “O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros.”

    “A caridade é um exercício espiritual. Quem pratica o bem coloca em movimento as forças da alma.”

    “Uma das mais belas lições que tenho aprendido com o sofrimento: não julgar. Definitivamente, não julgar a quem quer que seja.”

    “Cada um é livre para fazer o que quer de si mesmo, mas não podemos negar que nossas atitudes inspiram atitudes, tanto no bem quanto no mal.”

    “Na realidade, toda doença no corpo é processo de cura para a alma.”

    “Agradeço todas as dificuldades que enfrentei. Não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.”

    “Graças a Deus, não me lembro de ter revidado à menor ofensa das inúmeras que sofri, certamente objetivando, todas elas, o meu aprendizado. Emmanuel sempre me disse: ‘Chico, quando você não tiver uma palavra que auxilie, procure não abrir a boca.’”

    “Devemos aceitar a chegada da chamada morte, assim como o dia aceita a chegada da noite, tendo confiança que, em breve, de novo há de raiar o Sol.”

    “Gente há que desencarna imaginando que as portas do mundo espiritual irão se lhes escancarar. Ledo engano! Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo. O que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo.”

    “Confesso a vocês que não vi o tempo passar. Por mais longa que nos pareça, a existência na Terra é uma experiência muito curta. A única coisa que espero depois da minha desencarnação é a possibilidade de poder continuar trabalhando.”

    Reportagem retirada do site da Revista Bons Fluídos 0

  • Tradições e Costumes do Povo Cigano
    13 de maio de 2011 | 15:03 O povo cigano oriundo da Índia começou sua diáspora no ano 240 de nossa Era, após a invasão da Índia pelos persas. Desde que foram forçados a abandonar sua terra de origem, saíram em diáspora por todo o mundo. Perseguidos, incompreendidos e vítimas de todas as atrocidades, não perderam seu objetivo maior: viver em liberdade. Chegaram oficialmente ao Brasil como degredados, mas foi a partir de 1574 que oficialmente começaram a desembarcar nos portos brasileiros. Na Corte de D. João VI, assumiram suas profissões itinerantes para alegrar o dia-a-dia da Corte, e aos poucos foram conquistando o povo brasileiro.
    Donos de um código próprio de honra, são regidos pelas suas próprias leis, guardadas por um tribunal - Kris Romaí - formado por homens sábios de seu povo. Possuem também sua própria língua -o Romani, ou Romanês, com mais de 100 dialetos. Esta língua tem raízes nos idiomas sânscrito, armênio, grego e persa, resultado de contatos através de dominações e invasões dos países onde se estabeleciam acampados.
    Casam-se prioritariamente entre si, sem exigência de reconhecimento das leis do país onde se encontram, como única maneira de preservar suas tradições, costumes e a unidade de seu povo, mas não resistem preconceituosamente às uniões com não-ciganos (gadjé), quando existe amor, sinceridade e a promessa de manutenção dos hábitos do cônjuge cigano. Suas festas de casamento chegam a durar vários dias.
    Louvam inúmeros santos em suas slavas (festas religiosas comemorativas). Cristãos por excelência, são devotos de N. Sra. da Conceição Aparecida, sua padroeira no Brasil; Virgem Sara, padroeira universal dos ciganos; Virgem Esperança Macarena, sua padroeira na Espanha; Virgem de Fátima; N. Sra. de Lourdes; N. Sra da Luz e N. Sra. da Lampadosa, entre outros. Atualmente inserem em seu culto cristão, a presença do Beato Ceferino Gimenéz Malla, conhecido como El Pelé, beatificado pelo Papa João Paulo Atualmente inserem em seu culto cristão, a presença do Beato Ceferino Gimenéz Malla, conhecido como El Pelé, beatificado pelo Papa João Paulo II, em maio de 1997.
    Além da lição de liberdade, os ciganos são exemplos de vida que deveriam ser seguidos por todos. Não se conhece um só ancião cigano que tenha sido abandonado pelos seus familiares, tão pouco existem entre os ciganos crianças abandonadas. Ao contrário, tantos os velhos como as crianças são permanentemente alvo de atenção de todos. Os mais vividos guardam a coluna da sabedoria que sustenta a idoneidade de uma família cigana e os mais novos são a certeza da continuidade de suas tradições.


    AS CRIANÇAS SÃO A MAIOR ALEGRIA DOS CIGANOS


    “Elas são a garantia do futuro. A certeza de que nossas tradições serão eternas.”

    Logo que nascem são o centro das atenções e alvo dos cuidados de todos da família e do clã. Ganham três nomes diferentes: um civil, com o qual serão conhecidas pelos não-ciganos, um apelido que pode ser engraçado, ou ainda um nome que tenha a ver com qualquer particularidade da criança. É com este nome que ela será conhecida em seu clã de origem. E por fim um nome que lhe será dado em segredo, pela mãe, com quem esteve em intimidade durante toda a gestação.

    Para o povo cigano, a criança é o recomeço e a continuação da raça, a certeza de que suas tradições não se perderão no vento. Por isso, assim que nascem são tratadas com mimo, sem que a mãe deixe de mostrar o limite das coisas para a criança. É também a mãe que cuidará de sua educação pessoalmente, fazendo com que a criança possa aproveitar ao máximo o período da infância, quando desfruta mais intensamente da companhia das fadas, dos anjos e dos personagens oníricos, com quem convive diariamente.

    Quando nasce um cigano, sua avó oferece a todos o pão das três fadas, para que o recém-nascido tenha sorte, saúde e prosperidade. A criança é então banhada numa pequena banheira ou num tacho numa mistura de água natural, vinho, flores, metais, ervas e perfumes. Estes ingredientes e o próprio ritual do banho do recém-nascido apresentam algumas variações de clã para clã.

    A apresentação do recém-nascido à primeira Lua Cheia, após o seu nascimento é uma das tradições mais populares entre os ciganos brasileiros, principalmente os que vivem no interior do país. Para atrair a Boa Sorte e a proteção, a criança é erguida em direção à Lua pela avó ou pela madrinha, enquanto se diz:
    “Lua, Lua, Luar, toma teu andar. Leva esta criança e me ajuda a criar. Depois de criada torna a me dar.”

    O BATISMO É SAGRADO PARA OS CIGANOS.

    Na verdade, o primeiro Batismo da criança cigana acontece quando a mãe lhe sopra aos ouvidos um nome que apenas ela conhecerá. O banho de sorte faz parte deste ritual. As cerimônias religiosas de batismo são realizadas nas igrejas freqüentadas pela família do recém-nascido.


    OS RITOS FÚNEBRES (favor desenhar a cruz cigana ou o cortejo)


    A morte de um cigano é chorada por nós por mais que seja esperada e previsível. São velados com muito respeito e comoção, mas daquele momento em diante, os ciganos contam com mais um intermediário entre o clã e Deus. Mesmo assim, evitam para pronunciar o nome de um ente-querido que se foi, o que só é feito se for totalmente indispensável. Alguns clãs queimam os pertences e objetos de uso pessoal do morto. Os ciganos acreditam que a alma de quem morre, mas o duho (o último suspiro) continua entre os vivos por mais quarenta dias, revisitando pessoas queridas, indo a lugares de que gostava e relembrando tudo o que lhe fizeram ou até vingando-se de pessoas inimigas. Para dar-lhe paz e apaziguar-lhe o espírito, parentes e amigos próximos procuram se manter unidos e se preparam para receber os que vêm de fora, acompanhar o enfermo. Durante este período, as lembranças de seus feitos são citadas por todos, numa demonstração de carinho, gratidão e afeto.

    Quando a morte acontece todos se mostram tristes e surpresos. Uma vela acesa é colocada entre as mãos do falecido, para que ele seja guiado pela luz até o lugar que Ananke - o Destino - lhe reservou: Raio (céu) ou Catrano, embaixo da terra, onde ficam as almas dos condenados por Arangeloudan (divindade que representa a justiça divina) entre pixe e lama. Para os ciganos, é para lá que são enviados aqueles que matam ou blasfemam contra Deus.

    Durante o velório não se permite a visita de pessoas indesejáveis ao morto. É importante levar licor, vinho, velas e flores. Alguns clãs reservam um jantar em outro recinto diferente de onde está o morto para relembrar momentos felizes da vida do falecido, a fim de alegrar seu espírito. Os objetos mais apreciados pelo morto são colocados dentro de sua urna funerária, junto com uma moeda, para “pagar” ao canoeiro que transportará o espírito do morto até sua morada final.

    A GRANDE HOMENAGEM

    Um ritual secreto é realizado alguns dias após a morte e tem o nome de Pomana. Detalhe sobre esta cerimônia não são abertamente revelados. Mas sabe-se que são servidos os pratos preferidos do morto e que seu lugar à mesa é resguardado. Este ritual se repete ainda por mais algumas vezes e os participantes não podem se embriagar. Muitos grupos ciganos guardam luto até a terceira repetição do ritual, ou por mais tem, se quem morreu foi uma criança. As mulheres se vestem de discretamente e os homens não fazem a barba. Já outras comunidades ciganas costuma, apenas no quadragésimo dia, colocar uma vela branca e pão em água corrente, dentro de um pequeno barco, num rio. Quando o barco se afasta, é sinal de que a alma está confortada e pronta para cumprir seu destino.


    O BANHO DA SORTE E DA FORTUNA

    Num belo tacho de cobre são colocadas ervas aromáticas frescas, vinho, mel ou açúcar, uma pitada de sal, ouro, prata e um perfume delicado. Este banho atrai a fortuna e a Boa Sorte para o bebê e é realizado no primeiro mês de nascimento.

    O CASAMENTO - SURGE UMA NOVA FAMÍLIA


    Desde que as crianças nascem , seus pais e avós começam a prepará-las para o casamento. Existe um desejo prioritário dos pais que é o de casá-los com outro cigano ou cigana. Através do casamento, os ciganos asseguram a perpetuação dos costumes e tradições. As festas ciganas de casamento podem durar até três dias, conforme a condição financeira das famílias dos noivos. Os ciganos mais tradicionais iniciam a festa com um grande almoço, onde são servidos pratos típicos à base de assados de carnes diversas. Sempre há muita música e dança e, no primeiro dia da festa nota-se a presença dos não-ciganos que são bem-vindos ao clã.

    Hoje em dia, os casamentos são realizados em igrejas. Para a cerimônia religiosa a noiva veste o tradicional traje branco, comum também às noivas não ciganas. Segue-se a esta cerimônia, uma outra de maior beleza e significado para os ciganos, pois esta é oficializada por um membro da comunidade que tenha o respeito de todos. Os noivos então dividem o pão com sal e em alguns clãs quebram-se taças de cristal. Quanto mais cacos de cristais forem produzidos, maior a sorte do novo casal. Algumas brincadeiras são realizadas em torno da noiva, que recolhida a um compartimento - sala ou quarto, é oferecida por ela uma simbólica quantia em dinheiro, simbolizando a compra da noiva. A brincadeira consiste em tentar baixar significativamente o valor estipulado pelo guardião da noiva, que insiste em valorizá-la pelos seus dotes naturais e pela sua beleza física. Realizada a compra, a noiva é entregue à família do noivo, e após a cerimônia, o casamento é consumado.

    A prova de virgindade se dá apenas às mulheres mais velhas, de maior confiança das famílias. Pois a virgindade é muito importante para os ciganos que acreditam que a mulher carregará para o casamento boa sorte e bênçãos para o marido e os filhos que terão. Terminada a prova de virgindade, os pais da noiva recebem os cumprimentos de todos os convidados e uma enorme bandeira é erguida em honra da mais nova mulher do grupo. É também costume de alguns clãs rasgar a camisa do pai do noivo, quando seus retalhos são disputados pelos outros componentes do grupo. Na ausência do pai, é a mãe da noiva que tem seus trajes rasgados.
    Geralmente o jovem casal, muitas vezes com menos de vinte anos de idade cada um, passa a viver na casa dos pais do rapaz, pelo menos até que nasça o primeiro filho do casal. Este costume visa adaptar o novo casal para a rotina familiar. 0

  • Salve São Jorge
    13 de maio de 2011 | 15:03 Suas virtudes e histórias criaram raízes por onde ele passou. Lendárias ou não, São Jorge, o cavaleiro que matou o dragão, está em voga há séculos. Não é à toa que continua sendo lembrado e festejado todo dia 23 de abril.
    Texto • Patricia Bernal
    Quando me pedem para pintar São Jorge, vejo que as pessoas buscam proteção e força para que consigam realizar seus projetos de vida”, fala a artista plástica carioca Sonia Madruga, autora do quadro do santo que ilustra esta reportagem. Tal figura, carregada de lendas e mitos, representa o perfil destemido e corajoso do guerreiro que ocupa um importante espaço tanto na igreja católica quanto nos terreiros de candomblé. “Cada orixá faz correspondência com algum santo católico. Nossa Senhora da Conceição é Iemanjá, assim como São Jorge é Ogum e Oxóssi. Essa associação se estabelece a partir das características semelhantes entre eles”, esclarece o professor de sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Reginaldo Prandi, autor do livro Mitologia dos Orixás (ed. Companhia das Letras).

    Independentemente de religião ou crença, não há quem duvide de sua força e coragem. O que muita gente desconhece é que, antes de ser reconhecido como santo pela igreja católica, e como guerreiro do ferro e das matas pelo candomblé, Jorge percorreu terras longínquas e lutou ardorosamente em defesa de sua fé.

    O início de sua popularidade aconteceu no auge da perseguição aos cristãos pelo imperador romano Deocleciano – final do século 3, quando, dotado de extrema ousadia, o guerreiro passou a defender fervorosamente o cristianismo. “Na época, era proibido qualquer tipo de oposição aos deuses cultuados pelo regime político vigente”, escreve a museóloga Maria Augusta Machado, no livro São Jorge: Arquétipo, Santo e Orixá (ed. Ibis Libris). Porém, crente de apenas um Deus, o príncipe de Capadócia – como era chamado - desafiou o imperador e se tornou um símbolo da resistência católica. “Sua prova de fé foi dar a própria vida em nome de Jesus Cristo”, explica o teólogo formado pelo Pontificium Athenaeum Anselmianum, de Roma, Antonio Carlos Oliveira Souza. “É por isso que a Igreja o reconhece como alguém que lutou pela fé cristã e o considera
    um mártir católico”, completa.

    SUCESSO EM TERRAS BRASILEIRAS

    Para desbravar mares e séculos de história, o santo pegou carona com nossos colonizadores. “Naquela ocasião, os portugueses já o haviam nomeado como seu padroeiro”, esclarece o teólogo. “Além de torná-lo conhecido em nossas terras, tal fato o incorporou à cultura religiosa local.”

    Mas nem sempre Jorge foi santo. “É importante ressaltar que, no Brasil, quem realmente o popularizou foram os negros africanos”, completa. “Na época do Império, os europeus consideravam sua religião superior e proibiam qualquer tipo de manifestação de fé contrária à sua. Para não perderem suas raízes religiosas, os africanos usavam imagens católicas em seus cultos, associando-as a algum orixá para não serem perseguidos.” Esses fatores culturais e religiosos fizeram com que São Jorge encontrasse espaço definitivo também no candomblé.

    Independentemente de religião ou crença, não há quem duvide da coragem de São Jorge. A ele, as pessoas pedem proteção, fartura e força.

    O OUTRO LADO DA FORÇA

    Nas regiões próximas ao Rio de Janeiro e ao Rio Grande do Sul, o cavaleiro da fé cristã é identificado como Ogum, o guerreiro, o deus do ferro e da agricultura. “Aqueles que desejam resolver os conflitos da vida, abrir os caminhos e tirar os empecilhos à sua frente recorrem a Ogum”, afirma o pesquisador Reginaldo Prandi. “Diferentemente de Ogum, os que invocam Oxóssi, caçador da mata, pedem alimento e fartura para seu lar.”

    Um pouco mais ao norte, na Bahia e em todo seu redor, São Jorge é identificado como Oxóssi, patrono da caça e da ecologia. “A mitologia sempre trabalha com uma representação simbólica que, quando repetida várias vezes, acaba sendo aceita como a verdade”, diz Prandi. Isso explica por que Oxóssi se aproxima de São Jorge: ambos são símbolos de histórias similares e rodeadas de lendas. Uma delas conta que, para proteger os homens das ameaças de um pássaro, Oxóssi matou o animal. “Essa história se correlaciona com o dragão que São Jorge vence em uma de suas lendárias batalhas como guerreiro”, conta o escritor.

    Nas regiões próximas ao Rio de Janeiro e ao Rio Grande do Sul, São Jorge é conhecido como Ogum. E na Bahia e arredores, como Oxóssi

    Seja no candomblé ou no catolicismo, o fato é que o mito de São Jorge sobrevive até os dias de hoje. Sua imagem está presente ora nas descoladas vitrines de moda da vila Madalena, em São Paulo, ora dando um toque exótico às decorações de arquitetos renomados, ou até mesmo sendo recriado em pinturas e esculturas, forte como nunca. Como se não bastasse, o santo guerreiro conquistou um espaço definitivo na música popular brasileira, entoado por Jorge Ben Jor e Caetano Veloso na música Jorge da Capadócia: “Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge. Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam. E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal”, e Salve, Jorge!

    Reportagem retirada do site da Revista Bons Fluídos 0


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