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anabelcampos

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Sexo: Feminino
Signo: Câncer
Cidade: Rio de janeiro - RJ

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  • Sofredora
    03 de abril de 2007 | 10:10 O suor escorre pelo rosto: “Eu não posso ver isso”. Viro a cara e fecho os olhos. “Mas eu TENHO que ver”. Abro de novo os olhos e nada aconteceu. Olho para o alto, respiro fundo e enfrento.

    Quando acho que a hora está chegando, fecho mais uma vez os olhos e tapo os ouvidos: “Não quero ver isso, soube de gente que morreu assim... Deve ter sido problema no coração. Mas e se eu também tiver problema de coração? Melhor não ver não”.

    Meu corpo não resiste, minhas pálpebras abrem sozinhas e minhas mãos descem lentamente das minhas orelhas. Aquela imagem me hipnotiza, esqueço o que eu tinha decido um minuto atrás. Nada mais existe, só eu e aquele momento. O coração bate mais forte do que nunca.

    “E agora? O que será que vai acontecer? Se deus existe, ele vai ser bonzinho e me ajudar nesse momento... Não é Deus???”

    Alguns segundos ainda antecedem o momento fatídico. Ainda dá tempo de decidir se quero ver ou não. Se quero saber ou não. “E se eu fosse embora e só descobrisse o que aconteceu amanhã de manhã, pelos jornais?”

    Meu coração acha essa uma ótima idéia. Meu corpo tenta ir, mas minha mente paralisa. Agora já não dá mais tempo. Está na hora! Fecho um olho e abro o outro, insisto em ouvir tudo... Aquele segundo parece se multiplicar por 2 horas. Aliás, é aquele 1 segundo que decide as últimas duas horas da minha vida.

    É isso. É agora, já não posso fazer mais nada. Está acontecendo neste momento e eu estou vendo tudo. “Eu não tinha decidido que não ia ver isso?” Mas eu vejo e testemunho o exato instante em que o atacante do meu time bate o pênalti... e é gol!

    Goooooooooooollllllllllllllll!!! “E o time está classificado para a final do campeonato!”, diz o narrador... UFA!

    “Ah, eu já sabia...”
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  • Eu não durmo no ponto...
    30 de março de 2007 | 14:02 Durmo no ônibus mesmo!

    Para início de conversa, eu não vejo o ônibus como um simples meio de transporte. Vejo-o como uma chance de tirar uma sonequinha por apenas R$ 2,00. Quase como um hotel ambulante.

    Entro no ônibus e não escolho onde vou sentar baseada na proximidade da janela, ou na cara estranha do passageiro ao lado. Nem mesmo no local onde não bate sol. Meus critérios são outros. Observo logo o cantinho, aparentemente, mais aconchegante para encostar e dormir. Aquele lugar onde não tem puxador de janela pra não machucar a minha orelha, ou onde o movimento de senta e levanta não vá me acordar. Mesmo que isso signifique ficar lá na frente num ônibus lotado e que eu tenha que sair pela janela para descer no meu ponto. O importante na hora é dormir.

    Depois de identificado o canto perfeito, eu normalmente encosto e durmo. O sono, no entanto, é uma das coisas mais esdrúxulas que existem. (Tomem cuidado! Vocês que nunca viram o sono por este lado podem se assustar.).

    É o seguinte: a pessoa senta no ônibus e, de repente, seu olho começa a fechar - incontrolavelmente. O olho não está nem aí pra vontade do dono. E, assim, ridiculamente você perde o controle da própria pálpebra.

    Não satisfeita em fazer esse papelão, a pessoa ainda tenta, em vão claro, abrir o olho de novo, que, como se debochasse dela, insiste em fechar. E sabe qual é o pior? Ele fecha e pronto. Na maior mal criação e independência.

    Quando essa luta se encerra o grande vencedor é o sono, claro! Mas quando você pensa que tudo acabou... É a vez da cabeça. Ela começa a cair para o lado, bater na janela, encostar no ombro do cara ao lado. É um tal de cai/levanta que você sente que ela tem vida própria.
    É como se um alien tivesse invadido seu corpo, se instalado na sua cabeça e agora falasse: “Hahaha, dessa parte controlo eu! Os próximos serão os braços! E depois o mundo!”. E ela insiste em cair. Nesse ponto é que você chega ao cúmulo do patético, persistindo na vã tentativa de mantê-la de pé.

    Imagine a cena: Alguém entra no ônibus e se depara com você brigando com a própria cabeça. Eu não sentaria ao seu lado nessa hora. Ainda mais se estivesse no 512 indo em direção ao Pinel.

    Bom, quando a guerra com a cabeça finalmente cessa, tudo fica tranqüilo. Aí sim, sai um ufa de dentro da gente e o alívio é imediato. Mas sabe do que mais? Essa sensação você nem pôde sentir. Você dormiu. Sabe-se lá se houve alívio, se não houve. Você nem está mais lá.

    Essa é a parte mais misteriosa do sono. Pra onde a gente vai depois que dorme? E quem toma conta do nosso corpo? Tenho certeza de que damos lugar a uma força maior depois que apagamos. Algum outro alguém entra em nosso lugar.

    Você pode ser o cara mais tímido e quieto do mundo, depois que dorme pode encostar a cabeça no passageiro ao lado, abrir o maior bocão e começar a babar no ombro dele. Mesmo sentado num dos primeiros bancos, com todo mundo olhando. É claro que esse não é você! (Quer saber pra onde você foi? Sei lá, cara pálida! Eu lá tenho cara de algum tipo de detetive do sono?)

    O mais engraçado é que ao mesmo tempo em que não estamos lá, nós estamos! Calma, eu vou explicar isso melhor. Não sei se isso acontece com vocês, mas comigo é o seguinte: nunca passei do ponto porque dormi. Já passei porque me distraí, fiquei prestando atenção na conversa de alguém, ou coisas assim. Mas porque dormi, nunca! Não sei o que acontece: eu sempre acordo na hora de descer. Como se existisse um sensor dentro de mim vendo tudo, ouvindo tudo, prestando a maior atenção. E quando chega na hora eu, pimba, acordo! É batata! Nem me preocupo mais.

    Por isso é que adoro dormir em ônibus. E não tenho a menor vergonha tirar uma soneca no busum. Não sou eu quem está ali mesmo. Eu nunca me vi roncando em um 572! Ou babando em um 123. Então não tô nem aí. Acordo no meu ponto, descabelada, desço correndo e saio na maior cara de pau.
    Eu dormi? Vi, não!


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  • Eu não durmo no ponto...
    18 de março de 2007 | 22:10 Durmo no ônibus mesmo!

    Para início de conversa, eu não vejo o ônibus como um simples meio de transporte. Vejo-o como uma chance de tirar uma sonequinha por apenas R$ 2,00. Quase como um hotel ambulante.

    Entro no ônibus e não escolho onde vou sentar baseada na proximidade da janela, ou na cara estranha do passageiro ao lado. Nem mesmo no local onde não bate sol. Meus critérios são outros. Observo logo o cantinho, aparentemente, mais aconchegante para encostar e dormir. Aquele lugar onde não tem puxador de janela pra não machucar a minha orelha, ou onde o movimento de senta e levanta não vá me acordar. Mesmo que isso signifique ficar lá na frente num ônibus lotado e que eu tenha que sair pela janela para descer no meu ponto. O importante na hora é dormir.

    Depois de identificado o canto perfeito, eu normalmente encosto e durmo. O sono, no entanto, é uma das coisas mais esdrúxulas que existem. (Tomem cuidado! Vocês que nunca viram o sono por este lado podem se assustar.).

    É o seguinte: a pessoa senta no ônibus e, de repente, seu olho começa a fechar - incontrolavelmente. O olho não está nem aí pra vontade do dono. E, assim, ridiculamente você perde o controle da própria pálpebra.

    Não satisfeita em fazer esse papelão, a pessoa ainda tenta, em vão claro, abrir o olho de novo, que, como se debochasse dela, insiste em fechar. E sabe qual é o pior? Ele fecha e pronto. Na maior mal criação e independência.

    Quando essa luta se encerra o grande vencedor é o sono, claro! Mas quando você pensa que tudo acabou... É a vez da cabeça. Ela começa a cair para o lado, bater na janela, encostar no ombro do cara ao lado. É um tal de cai/levanta que você sente que ela tem vida própria.
    É como se um alien tivesse invadido seu corpo, se instalado na sua cabeça e agora falasse: “Hahaha, dessa parte controlo eu! Os próximos serão os braços! E depois o mundo!”. E ela insiste em cair. Nesse ponto é que você chega ao cúmulo do patético, persistindo na vã tentativa de mantê-la de pé.

    Imagine a cena: Alguém entra no ônibus e se depara com você brigando com a própria cabeça. Eu não sentaria ao seu lado nessa hora. Ainda mais se estivesse no 512 indo em direção ao Pinel.

    Bom, quando a guerra com a cabeça finalmente cessa, tudo fica tranqüilo. Aí sim, sai um ufa de dentro da gente e o alívio é imediato. Mas sabe do que mais? Essa sensação você nem pôde sentir. Você dormiu. Sabe-se lá se houve alívio, se não houve. Você nem está mais lá.

    Essa é a parte mais misteriosa do sono. Pra onde a gente vai depois que dorme? E quem toma conta do nosso corpo? Tenho certeza de que damos lugar a uma força maior depois que apagamos. Algum outro alguém entra em nosso lugar.

    Você pode ser o cara mais tímido e quieto do mundo, depois que dorme pode encostar a cabeça no passageiro ao lado, abrir o maior bocão e começar a babar no ombro dele. Mesmo sentado num dos primeiros bancos, com todo mundo olhando. É claro que esse não é você! (Quer saber pra onde você foi? Sei lá, cara pálida! Eu lá tenho cara de algum tipo de detetive do sono?)

    O mais engraçado é que ao mesmo tempo em que não estamos lá, nós estamos! Calma, eu vou explicar isso melhor. Não sei se isso acontece com vocês, mas comigo é o seguinte: nunca passei do ponto porque dormi. Já passei porque me distraí, fiquei prestando atenção na conversa de alguém, ou coisas assim. Mas porque dormi, nunca! Não sei o que acontece: eu sempre acordo na hora de descer. Como se existisse um sensor dentro de mim vendo tudo, ouvindo tudo, prestando a maior atenção. E quando chega na hora eu, pimba, acordo! É batata! Nem me preocupo mais.

    Por isso é que adoro dormir em ônibus. E não tenho a menor vergonha tirar uma soneca no busum. Não sou eu quem está ali mesmo. Eu nunca me vi roncando em um 572! Ou babando em um 123. Então não tô nem aí. Acordo no meu ponto, descabelada, desço correndo e saio na maior cara de pau.
    Eu dormi? Vi, não!


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