diário de obscênica.nina

diário de obscênica.nina (27)

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  • Baby Dolls em Recife
    25 de janeiro de 2010 | 18:06

    XII Festival Recife do Teatro Nacional, novembro de 2009.
    Terceiro dia de nossa estada aqui. Ontem, pela primeira vez desde que chegamos aqui, pisamos na areia e “butamos” o pé no mar... por pura gratidão.
    Gratidão por estarmos aqui, nessa terra abençoada, realizando nosso trabalho. Uma semana em Recife, realizando Baby Dolls pelas regionais da cidade e experimentando, pela primeira vez, realizar o workshop “como se fabrica uma mulher?” exclusivamente para mulheres e com a participação de Joyce e Erica: pela primeira vez friccionando nossos materiais também na sala. E todos os dias essa experiência aqui me arrepia e me transforma. Abençoada a terra, abençoadas nós.
    Em Pernambuco, de janeiro a outubro deste ano, 291 mulheres foram mortas. 95% dos seus agressores foram homens, sendo 70% companheiros ou ex-companheiros, maridos ou ex-maridos, noivos, namorados. 70% destas mulheres foram mortas por homens que diziam amá-las. Pernambuco é, hoje, um dos estados nos quais mais se mata mulheres no Brasil. Aqui, em Recife, embora haja 100 mil mulheres a mais que homens, temos a impressão de predominância masculina. As mulheres, não as vemos tanto pelas ruas. Não as vemos tanto pelos bares, desacompanhadas.
    Sandra, atriz gaúcha que há seis meses mora em Recife e é uma das participantes do workshop, traz, no segundo dia, um cinzeiro e uma lata de cerveja entre os objetos do “universo feminino” que escolheu para realizar o trabalho conosco. Ela relata que, ao sair do nosso trabalho no dia anterior, resolveu entrar num bar, sozinha, pra tomar uma cerveja e fumar um cigarrro. Era a única mulher do lugar. Uma estrangeira, alienígena.
    Aqui, a população que transita livremente é a masculina. Apesar disso (e, talvez, em razão disso mesmo), nunca as mulheres foram tão cúmplices de nós. Aqui a realidade é mais dura. Não é possível fingir que está tudo bem, que somos emancipadas e que o feminismo é um movimento arcaico e obsoleto. Aqui, não é possível ignorar o machismo e fingir que somos donas de nosso próprio corpo e da nossa vontade. Ontem, quando realizamos a caminhada performática pelo Recife Antigo, Andala (atriz recifense) se postou numa esquina. Do lado de cá, ao meu lado, um grupo de homens a olhava e um dizia: “Aquela ali tá querendo homem. Vou arrumar um pra ela”. Outros ameaçavam colocar moedas no “cofrinho” de Erica que, abaixada, registrava tudo. Aqui, a hipocrisia mineira que permite às mulheres de lá achar, no reverso de narciso, que feio é o que é espelho, não tem solo para grassar.
    No entanto aqui, como lá, a potência dessas mulheres unidas desarranja, desconstrói, destrói, desordena. Sentimos essa força na Rua da Imperatriz (na primeira intervenção), quando as mulheres do grupo Loucas de Pedra Lilás aplaudiram Joyce ao vê-la arrancar a peruca loira e revelar seus cachos negros. Sentimos sua força em nossa caminhada performática pelo Centro do Recife Antigo, sentimos ontem, no mercado de Casa Amarela, quando alteramos nossos desenhos e relações, fortalecendo nossas imagens e bagunçando os sentidos de quem transitava por lá (pela primeira vez, senti o impulso real e a cumplicidade necessária – o desejo – daquelas pessoas de compartilhar da escrita. Corpos vazios foram preenchidos por outras mãos armadas de giz. Essa mesma força senti hoje, na Várzea, quando as mulheres avançaram, tomando posse do giz e dos corpos. Potência Performática). Aqui, como lá, somos “incontornáveis e irreversíveis”...

    Último dia. Praia da Boa Viagem, Recife, Pernambuco. Hotel em frente ao mar.
    Sete dias em Recife e pus o pé na água duas vezes. A segunda (essa da qual estou voltando agora, entre o não almoço e o aeroporto) – graças! – pus todo o meu corpo até a cabeça. Para agradecer. Agradecer a experiência maravilhosa, transformadora, que vivi neste lugar. Sou eu também – assim como Mariquinha – outra mulher.


  • flores do cerrado
    13 de janeiro de 2010 | 22:10

    chegando de belas cachoeiras no interior de minas... flores do cerrado! intensas, coloridas, cheirosas... ai, já estou com saudade do angu com couve, do papo de mirtes, das noites, tardes, manhãs de amor


  • Menção Honrosa Prêmio Off FLIP
    28 de junho de 2009 | 17:05

    Estou muito feliz! Mandei um conto para concorrer no prêmio de literatura da FLIP. Não ganhei, mas tive menção honrosa... confira abaixo! (originalmente são duas vozes, uma marcada em negrito... vamos ver se vocês descobrem)

    sem juízo

    O despertador toca. 05h15min da manhã. Vai começar tudo de novo. Ela abre o olho. Levanta-se. A roupa pendurada na cadeira. Desde a noite anterior. Tudo organizado. A blusa branca de botões. O sapato preto. Tudo organizado.

    Loira. Vinte e oito anos. Nem bonita nem feia. Secretária. Eu gostaria que a senhora me fizesse um pequeno relato sobre o caso.

    Sempre pegava o metrô às 06h20min. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Alguma coisa aconteceu. Entre as 05h15min, quando despertou, e o momento em que devia pegar o metrô. Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela. Ela respira fundo, atravessa a rua. Toma um café na lanchonete da esquina e fuma um cigarro.
    A lanchonete estava lotada, mas ninguém me via.
    Era sempre assim. Era sempre a mesma coisa. Eu estou numa calçada que faz parte de uma rua que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que faz parte de um país que faz parte do mundo! Eu grito e ninguém me escuta. Eu espero um milagre.

    Os fatos. Vamos aos fatos.

    Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo daria certo. Sempre pegava o metrô às 06h20min. Sempre. Descia do metrô. Atravessava a rua. Tomava um café na lanchonete da esquina. Fumava um cigarro. E batia o cartão. Às oito horas em ponto.
    Eu só estava um pouco atrasada. Sempre pegava o metrô às seis e vinte. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Às cinco e meia ela terminou o banho. Colocou a roupa. Passou o batom. Adora batom vermelho, mas passou um rosa. Nem bonita nem feia. Secretária. Lera isso em algum lugar? Ela sempre quis ser linda. Modelo. Atriz. Bailarina.
    Tudo tem que ser a mesma coisa. Tudo igual. Tudo em seus devidos lugares. Tudo em pratos limpos! Desde a noite anterior. Ela respira fundo. Pausa.
    Ela tinha saído de casa às seis da manhã como todo dia. Mas hoje ia ser diferente. Tinha que ser diferente, pois mais um dia como aquele iria matá-la.

    O que a senhora quer dizer com isso? A senhora confessa?

    Ela esperava um milagre. Alguma coisa que entrasse no seu caminho de maneira irremediável. Ela devia pegar o metrô às 06h20min. Fechou a porta, desceu as escadas. Cruzou a esquina.
    Ainda estava escuro. Um homem na rua deserta. Seria o príncipe encantado que iria salvá-la? Desviou, sumiu de vista. Gostava de ver a cidade naquela hora. Naquela hora, parecia que tinha outra cidade por baixo da cidade. Uma cidade invisível.
    Eu preciso fumar um cigarro. Eu tinha que bater o cartão às oito horas em ponto.

    Vamos aos fatos? A senhora saiu às seis horas da manhã.

    Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo. Do começo. Vou começar do começo. Digo, ela. Ela vai começar tudo de novo.
    Ela acorda sempre um segundo antes do despertador tocar. O despertador toca. Ela abre o olho. A roupa está pendurada na cadeira. Ela gosta de tudo organizado.
    Acorda! Acorda!
    O que esta corda está fazendo aqui? Não é a mesma coisa! Não tinha a corda... Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela. Ela precisa fumar um cigarro!
    Era sem “acorda!”. Não é a mesma coisa! Não é a mesma coisa. Um cigarro. Alguém me dá um cigarro?

    Os fatos! Prossigamos.

    Ela esquecia as palavras, se perdia... Desculpe, é o stress. Eu já disse que ela era frígida?

    Mas disso não consta uma só palavra na acusação. Como devo julgar?

    Tudo tem hora e lugar. O seu lugar. Cada coisa em seu lugar.
    Ela era do tipo frígido. Ela já tinha tentado de tudo, até amante. Mas também com ele tudo logo soou programado. As mesmas horas de traição. O mesmo sexo oral anal sempre com ele como nunca fazia com o marido. As sempre mesmas ousadias pequenas.
    Ele.
    Ele sempre pega o metrô às 06h20min. Ele. Sempre. Desce do metrô. Ele atravessa a rua e toma um café na lanchonete da esquina.
    Ela também entra na lanchonete. Ela também tem fome.
    Às 05h30min ele acaba o banho, coloca a roupa. Blusa branca, de botão. Sapato preto. Ele gosta do vermelho. Ela vê o batom surgindo na frente dela. Ele adora passar o batom. Ela não é bonita. Mas fica linda de batom vermelho. Ele machucou ela. A boca. Na quina da cama. Digo, ela. Ela machucou a boca na quina da cama. Vermelho. Tem que ser vermelho. Sorri um sorriso machucado. Puta.
    Ela entra no escritório. Cumprimenta a colega: “Obrigada pelas flores!”. Vai até o banheiro. Senta-se na privada e digita. Um belo texto. Um texto imaginário. Maravilhoso. Cheio de palavras que ninguém conhece. Vaca. Puta. Puta.
    Volta ao escritório. Cumprimenta a moça do café. Servimos bem para servirmos sempre. As folhas amarelas são requerimentos. As verdes vão para a contabilidade.

    Mas o que é isso, onde estão os papéis? Não consta nada disso! Vamos aos fatos!

    Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo. Tudo vai dar certo!

    É fácil dizer isso. Mas eu tenho de conduzir um interrogatório. Hoje em dia, não é fácil saber onde está a justiça. Eu já li isso em algum lugar? Vamos aos fatos. Foi um dia normal? A senhora tinha feito suas obrigações?

    Até o milagre acontecer ela não podia fazer nada. A não ser comprar uma calcinha de renda vermelha. Tinha visto uma na promoção do dia dos namorados. Torcer pro sexo ser um pouquinho diferente, pois há muito era o mesmo. Nunca mais as mesmas coisas. Lavar. Passar. Amar. Transar. Mesmo sem vontade. Parir. Amar. Amamentar. Aquecer. Esquecer. Amar. Sacrificar. Apanhar. Sujeitar. Compreender. Esquecer. Esquecer. Perdoar.

    Afinal de contas, qual foi o crime?

    Sua vida não tinha poesia. Ela era invisível. Sempre foi. Ninguém a via, ninguém a escutava. Sempre as mesmas coisas. Aquilo dava um aperto no coração.
    Mas hoje não. Hoje, alguma coisa aconteceu. Ela entra no prédio. Elevador panorâmico. Primeiro, segundo, terceiro, Sétimo andar. Cabalístico. Ela pisa o parapeito. Ela espera um milagre. Seu corpo bailarino flutua um momento no ar.
    No chão, os papéis espalhados. A meia calça rasgada. Onde está minha estrutura sólida? Onde está o chão sob os meus pés? O que me sustenta? O que eu posso sustentar?
    Ela muda. Dócil. Gelada. Como ele gosta.

    Onde está a pasta com a acusação? Preciso dela. Preciso saber quem são os acusados. Isso é meu ou li em algum lugar? Como posso saber? Afinal de contas, qual foi o crime?

    A gente só devia conhecer o que vive. Eu tinha sonhado com um enterro cheio de gente, flores, choro. Um enterro digno. Ser alguém uma vez na vida. Mas ninguém me vê. Digo, ela.
    Ela devia ter tomado o metrô. Às 06h20min. Mas ela ainda não entrou na estação. Ela está molhada. Ela não se levanta. Loira, 28 anos, sem calcinha. Jogada num beco escuro ordinário. Ele veste a roupa. A loira não fala nada. Como ele gosta. Ele. Ele.
    Que horas são? Que corda é essa, na sua mão?
    São 07h30min. Ela ainda não pegou o metrô. Alguma coisa se quebrou. E quando uma coisa se quebra não há mais conserto. Aquilo está quebrado para sempre.
    Alguém pode me dar um cigarro? Um cigarro?


  • Meninas Negras, bonecas feias e más
    18 de junho de 2009 | 21:09

    Meu coração está muito apertado. Hoje vi um vídeo no qual algumas crianças negras, entre 4 e 6 anos mais ou menos são colocadas diante de duas bonecas, uma branca e outra negra. \"qual boneca é bonita?\" perguntam às crianças. Todas respondem: \"essa\" (e apontam a branca). \"qual boneca é feia?\". Cada uma das crianças aponta a boneca negra. \"qual boneca é legal?\". Elas apontam a branca. A voz pergunta:\"por que essa boneca é legal?\". Uma criança responde: \"porque ela é branca e tem olhos azuis\". Por fim, perguntam: \"você se parece com qual boneca?\" \"Eu?\". \"sim, com qual boneca você se parece?\". Uma menina, hesitante, estremecendo, aponta a boneca negra.
    Até quando?


  • TDN (Tensão do Dia dos Namorados)
    13 de junho de 2009 | 11:11

    Até quando vamos nos sentir mancas, surdas, velhas, feias, trapos, porque é o dia dos namorados (mês das noivas etc) e estamos sozinhas? Até quando vamos associar nosso valor à conquista de um homem? Sim, podemos andar sozinhas, pelas nossas próprias pernas...
    Vejo um investimento enorme em torno deste dia que, para mim, é uma data comercial, que só beneficia lojistas... Namoro é algo que se constrói a todo dia, presente se dá quando se tem vontade, a gente namora quando há interesse de fato de aprofundar uma relação. Sexo é gostoso e saudável, relacionar-se faz bem, mas quando vem de um desejo real, não quando é imposição, pressão social, acessório indispensável para a mulher.
    Somos mulheres mesmo que estejamos sem um homem. Não é o homem que nos qualifica. Até quando?????


  • meninas bonecas
    09 de junho de 2009 | 11:11

    Único trabalho mineiro a integrar a programação do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto este ano, Baby Dolls uma exposição de bonecas novamente invadiu a Praça Sete nesta última quinta, dia 5 de junho.
    Neste dia, optamos por fazer uma interferência no horário de saída de escola e fechamento do comércio, ou seja, no olho do furacão. Joyce testaria sua nova maquiagem, de boneca de louça. Erica o figurino de rainha do lar, dona-de-casa santificada. Eu, o desenho dos objetos e a escrita fora dos corpos. Neste dia também, tínhamos \"convidados ilustres\", os quais chamamos a participar do trabalho a fim de nos dar um feedback, um olhar para além daquele dos pesquisadores obscênicos que nos acompanham desde o nascimento das bonecas, um olhar \"virgem\", mas especializado: Mencarelli, professor do curso de artes cênicas da ufmg, Clarissa, pesquisadora da performance, e Júlia Mendes, atriz e jornalista, além de Garrocho, pesquisador e filósofo (que, infelizmente, não pôde ficar até o fim do trabalho para o tão esperado feedback).
    Investimos, mais uma vez, na mudança estrutural proposta por Clóvis: primeiro, a instalação da exposição para, somente depois que esta estivesse instaurada, partirmos para as mulheres mortas, desenhos de corpos marcados a giz no chão.
    16:30, praça cheia. Eu e Erica escolhemos o local de seu tapete, depusemos as revistas e comecei a escolher imagens. Ela busca a água e logo começa o seu trabalho. Joyce, já na praça, instala seu tapete. Lissandra, de noiva a passear pelos entornos. Terminado o tapete da Nêga, começo a buscar os pequenos objetos que comporão pequenos \"quadros\" a giz, quase retratos destes objetos mortos.
    Os desenhos, infelizmente, não traduzem os objetos que desejo: o pires vira um simples círculo, a bolsa, um retângulo. Tento dar a forma dos objetos reais em seus desenhos a giz. escrevo: brincar de casinha, brincar de boneca. não estou satisfeita. Os objetos escapam ao desenho. Opto por dar vazão à escrita fora dos corpos que ainda não se deitaram: escrevo listas de tarefas da mulher ao lado do tapete de Erica. Ela, então, já com seu figurino montado no cabide-corpo, disponibiliza-o para a marca. Traço a silhueta deste corpo-manequim no chão e nele escrevo. É o primeiro corpo do dia.
    O fluxo de pessoas me impressiona. Nunca tivemos tanto \"público\". A praça, lotada, dificulta a visão das bonecas e mal localizo Lissandra dentro do círculo de pessoas que se formou ao seu redor. Ela me vê, deita-se no chão. Desenho seu corpo. Um bêbado de rua pede: \"me desenha também\". Ele se deita e faço o contorno do seu corpo ao lado do dela. Corpo de homem. Nosso primeiro e dentro dele escrevo: homem. humanidade. ser humano dotado de qualidades viris como força, coragem.
    Desta vez, o ritmo acelerado da cidade acelera o ritmo da interferência. Para mim, ela passa muito rápido e desenho poucos corpos, poucos demais. Quando vejo, as três já estão deitadas na área central, meio dos tapetes. É o sinal do nosso fechamento. Traço seus corpos. O bêbado novamente se deita e, pasmem! Um homem, a caminho da aula, deita-se ao lado dele. Ao lado das bonecas adultas, mais duas, a grata surpresa: duas meninas esperam, felizes, que eu trace seus corpos no chão, que eu torne um pouco mais durável suas presenças em nossa ação. Grata surpresa. Silhuetas de meninas em meio aos corpos das mulheres mortas. O primeiro impulso é aproveitar os corpos e falar da pedofilia. Mas, diante de seus sorrisos, a coragem me falta e prefiro falar da educação das meninas, de seus brinquedos cor de rosa e das qualidades que uma garota já deve demonstrar para ser uma futura mulher capaz de conquistar seu homem e cuidar do seu lar. Uma futura mulher, educada para agradar. Uma futura mulher, cumprindo o papel que nasceu para desempenhar... Futuras bonecas?


  • e o vento sopra...
    05 de junho de 2009 | 10:10

    Baby dolls na praça ontem... um sucesso! o intenso fluxo de transeuntes, a presença/ participação/ improviso de um bêbado de rua, duas menininhas que fizeram questão de ter seus corpos desenhados, a presença/feedback de pessoas importantes das artes cênicas!
    nêga testou seu novo figurino de santa, rainha do lar. joyce a maquilagem de boneca de louça. lica arrasou, como sempre, em sua mulher objetos...
    Sim, os ventos sopram para os nossos lados! Viva!


  • Fé e pé na tábua
    03 de junho de 2009 | 13:01

    Agradecer a todos os santos e anjos, protetores e amigos!
    Como sou ecumênica, lá vai: êparrei, minha mãe! Aleluia, salve S.Judas Tadeu e meu valente São Jorge! Obrigada minha Santa Guerreira, obrigada minha mãe de verdade pela fé e força e proteção. O vento está soprando e levantando as possibilidades de trabalho! Vamos que vamos!


  • Bonecas ganham o mundo!
    02 de junho de 2009 | 10:10

    Oba! Estou super feliz! A intervenção Baby Dolls, uma exposição de bonecas que venho realizando pelas ruas de Belo Horizonte vai ganhar o mundo!
    Fomos convidadas para o Festival Internacional de Teatro de S. José do Rio Preto e para os festivais de Inverno de Ouro Preto e de Diamantina!
    Em breve, também, estaremos em São Paulo!
    \"Somos incontornáveis e irreversíveis\".


  • Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para você
    02 de junho de 2009 | 10:10

    BABY DOLLS: uma exposição de bonecas
    Intervenção urbana para 3 atrizes e uma dramaturga
    BABY DOLLS: uma obra em construção
    Corpos mortos na paisagem da cidade. Instalações. Escritos.
    Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para você

    barbies. pollys. princess all globe.
    bonecas domesticadas pela tv.
    Nas ruas de cada dia mulheres são construídas. Mulheres sobremesas. Mulheres de cama e mesa. Mulheres bichinhos de estimação. Mulheres bonecas em exposição. Mulheres rol. Mulheres notícias de jornal.
    Três tapetes, três nichos de exposição. Nas ruas e praças, no centro nervoso da cidade, três bonecas, monumentos animados dessas mulheres objetos, convidam os transeuntes a brincar. Mulheres princesas, mulheres noivas, mulheres dóceis. Mulheres mudas. Mas não se engane. Logo, essas bonecas serão mulheres mortas, marcadas a giz no chão.
    Escritas devem percorrer esses corpos mortos. Deve estar lá o verbete do Aurélio. As tarefas inúteis e os desejos de consumo da mulher. Notícias de jornal. E os anúncios das prostitutas de Curitiba. Menores de treze anos.
    A partir de referências da arte contemporânea, como os procedimentos work in process, o conceito de instalação e a obra de Artur Barrio, Baby Dolls discute a fabricação do modelo feminino presente na sociedade atual. Realizada desde outubro do ano passado, primeiro na Praça da Savassi, depois na vitrine do Teatro Marília e na Praça 7, a intervenção é fruto da pesquisa empreendida pela dramaturga Nina Caetano e pelas atrizes Lissandra Guimarães, Erica Vilhena e Joyce Malta.
    Pensada como uma ação interventiva no cotidiano social, Baby Dolls tem a perspectiva de provocar uma atitude ativa do transeunte diante do acontecimento cênico-performativo. Em uma sociedade em que se multiplicam mulheres comida (mulher melancia, mulher jaca, mulher filé, mulher caviar), em que as mulheres, como propriedades e objetos, são cada vez mais mortas, excomungadas e transformadas em bens de consumo, o transeunte/espectador, sem uma resposta clara e um entendimento imediato do que se passa, é obrigado a parar e interagir com a ação que visa destruir os estereótipos que se reproduzem e desorganizar as imagens dadas, permitindo que uma fenda se produza nos sentidos.



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