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obscênica.nina

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Sexo: Feminino
Signo: Leão
Ascendente: Escorpião
Nascimento: 11/08/1969
Sobre mim: decidida forte livre inteligente debochada inconformada insólita polêmica sexy estilosa diferente competente talentosa cheirosa modesta (mas ciente de minhas qualidades...)
Cidade: Belo horizonte - MG
Estado Civil: Namorando

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  • Baby Dolls em Recife
    25 de janeiro de 2010 | 18:06 XII Festival Recife do Teatro Nacional, novembro de 2009.
    Terceiro dia de nossa estada aqui. Ontem, pela primeira vez desde que chegamos aqui, pisamos na areia e “butamos” o pé no mar... por pura gratidão.
    Gratidão por estarmos aqui, nessa terra abençoada, realizando nosso trabalho. Uma semana em Recife, realizando Baby Dolls pelas regionais da cidade e experimentando, pela primeira vez, realizar o workshop “como se fabrica uma mulher?” exclusivamente para mulheres e com a participação de Joyce e Erica: pela primeira vez friccionando nossos materiais também na sala. E todos os dias essa experiência aqui me arrepia e me transforma. Abençoada a terra, abençoadas nós.
    Em Pernambuco, de janeiro a outubro deste ano, 291 mulheres foram mortas. 95% dos seus agressores foram homens, sendo 70% companheiros ou ex-companheiros, maridos ou ex-maridos, noivos, namorados. 70% destas mulheres foram mortas por homens que diziam amá-las. Pernambuco é, hoje, um dos estados nos quais mais se mata mulheres no Brasil. Aqui, em Recife, embora haja 100 mil mulheres a mais que homens, temos a impressão de predominância masculina. As mulheres, não as vemos tanto pelas ruas. Não as vemos tanto pelos bares, desacompanhadas.
    Sandra, atriz gaúcha que há seis meses mora em Recife e é uma das participantes do workshop, traz, no segundo dia, um cinzeiro e uma lata de cerveja entre os objetos do “universo feminino” que escolheu para realizar o trabalho conosco. Ela relata que, ao sair do nosso trabalho no dia anterior, resolveu entrar num bar, sozinha, pra tomar uma cerveja e fumar um cigarrro. Era a única mulher do lugar. Uma estrangeira, alienígena.
    Aqui, a população que transita livremente é a masculina. Apesar disso (e, talvez, em razão disso mesmo), nunca as mulheres foram tão cúmplices de nós. Aqui a realidade é mais dura. Não é possível fingir que está tudo bem, que somos emancipadas e que o feminismo é um movimento arcaico e obsoleto. Aqui, não é possível ignorar o machismo e fingir que somos donas de nosso próprio corpo e da nossa vontade. Ontem, quando realizamos a caminhada performática pelo Recife Antigo, Andala (atriz recifense) se postou numa esquina. Do lado de cá, ao meu lado, um grupo de homens a olhava e um dizia: “Aquela ali tá querendo homem. Vou arrumar um pra ela”. Outros ameaçavam colocar moedas no “cofrinho” de Erica que, abaixada, registrava tudo. Aqui, a hipocrisia mineira que permite às mulheres de lá achar, no reverso de narciso, que feio é o que é espelho, não tem solo para grassar.
    No entanto aqui, como lá, a potência dessas mulheres unidas desarranja, desconstrói, destrói, desordena. Sentimos essa força na Rua da Imperatriz (na primeira intervenção), quando as mulheres do grupo Loucas de Pedra Lilás aplaudiram Joyce ao vê-la arrancar a peruca loira e revelar seus cachos negros. Sentimos sua força em nossa caminhada performática pelo Centro do Recife Antigo, sentimos ontem, no mercado de Casa Amarela, quando alteramos nossos desenhos e relações, fortalecendo nossas imagens e bagunçando os sentidos de quem transitava por lá (pela primeira vez, senti o impulso real e a cumplicidade necessária – o desejo – daquelas pessoas de compartilhar da escrita. Corpos vazios foram preenchidos por outras mãos armadas de giz. Essa mesma força senti hoje, na Várzea, quando as mulheres avançaram, tomando posse do giz e dos corpos. Potência Performática). Aqui, como lá, somos “incontornáveis e irreversíveis”...

    Último dia. Praia da Boa Viagem, Recife, Pernambuco. Hotel em frente ao mar.
    Sete dias em Recife e pus o pé na água duas vezes. A segunda (essa da qual estou voltando agora, entre o não almoço e o aeroporto) – graças! – pus todo o meu corpo até a cabeça. Para agradecer. Agradecer a experiência maravilhosa, transformadora, que vivi neste lugar. Sou eu também – assim como Mariquinha – outra mulher. 2

  • flores do cerrado
    13 de janeiro de 2010 | 22:10 chegando de belas cachoeiras no interior de minas... flores do cerrado! intensas, coloridas, cheirosas... ai, já estou com saudade do angu com couve, do papo de mirtes, das noites, tardes, manhãs de amor 1

  • Menção Honrosa Prêmio Off FLIP
    28 de junho de 2009 | 17:05 Estou muito feliz! Mandei um conto para concorrer no prêmio de literatura da FLIP. Não ganhei, mas tive menção honrosa... confira abaixo! (originalmente são duas vozes, uma marcada em negrito... vamos ver se vocês descobrem)

    sem juízo

    O despertador toca. 05h15min da manhã. Vai começar tudo de novo. Ela abre o olho. Levanta-se. A roupa pendurada na cadeira. Desde a noite anterior. Tudo organizado. A blusa branca de botões. O sapato preto. Tudo organizado.

    Loira. Vinte e oito anos. Nem bonita nem feia. Secretária. Eu gostaria que a senhora me fizesse um pequeno relato sobre o caso.

    Sempre pegava o metrô às 06h20min. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Alguma coisa aconteceu. Entre as 05h15min, quando despertou, e o momento em que devia pegar o metrô. Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela. Ela respira fundo, atravessa a rua. Toma um café na lanchonete da esquina e fuma um cigarro.
    A lanchonete estava lotada, mas ninguém me via.
    Era sempre assim. Era sempre a mesma coisa. Eu estou numa calçada que faz parte de uma rua que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que faz parte de um país que faz parte do mundo! Eu grito e ninguém me escuta. Eu espero um milagre.

    Os fatos. Vamos aos fatos.

    Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo daria certo. Sempre pegava o metrô às 06h20min. Sempre. Descia do metrô. Atravessava a rua. Tomava um café na lanchonete da esquina. Fumava um cigarro. E batia o cartão. Às oito horas em ponto.
    Eu só estava um pouco atrasada. Sempre pegava o metrô às seis e vinte. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Às cinco e meia ela terminou o banho. Colocou a roupa. Passou o batom. Adora batom vermelho, mas passou um rosa. Nem bonita nem feia. Secretária. Lera isso em algum lugar? Ela sempre quis ser linda. Modelo. Atriz. Bailarina.
    Tudo tem que ser a mesma coisa. Tudo igual. Tudo em seus devidos lugares. Tudo em pratos limpos! Desde a noite anterior. Ela respira fundo. Pausa.
    Ela tinha saído de casa às seis da manhã como todo dia. Mas hoje ia ser diferente. Tinha que ser diferente, pois mais um dia como aquele iria matá-la.

    O que a senhora quer dizer com isso? A senhora confessa?

    Ela esperava um milagre. Alguma coisa que entrasse no seu caminho de maneira irremediável. Ela devia pegar o metrô às 06h20min. Fechou a porta, desceu as escadas. Cruzou a esquina.
    Ainda estava escuro. Um homem na rua deserta. Seria o príncipe encantado que iria salvá-la? Desviou, sumiu de vista. Gostava de ver a cidade naquela hora. Naquela hora, parecia que tinha outra cidade por baixo da cidade. Uma cidade invisível.
    Eu preciso fumar um cigarro. Eu tinha que bater o cartão às oito horas em ponto.

    Vamos aos fatos? A senhora saiu às seis horas da manhã.

    Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo. Do começo. Vou começar do começo. Digo, ela. Ela vai começar tudo de novo.
    Ela acorda sempre um segundo antes do despertador tocar. O despertador toca. Ela abre o olho. A roupa está pendurada na cadeira. Ela gosta de tudo organizado.
    Acorda! Acorda!
    O que esta corda está fazendo aqui? Não é a mesma coisa! Não tinha a corda... Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela. Ela precisa fumar um cigarro!
    Era sem “acorda!”. Não é a mesma coisa! Não é a mesma coisa. Um cigarro. Alguém me dá um cigarro?

    Os fatos! Prossigamos.

    Ela esquecia as palavras, se perdia... Desculpe, é o stress. Eu já disse que ela era frígida?

    Mas disso não consta uma só palavra na acusação. Como devo julgar?

    Tudo tem hora e lugar. O seu lugar. Cada coisa em seu lugar.
    Ela era do tipo frígido. Ela já tinha tentado de tudo, até amante. Mas também com ele tudo logo soou programado. As mesmas horas de traição. O mesmo sexo oral anal sempre com ele como nunca fazia com o marido. As sempre mesmas ousadias pequenas.
    Ele.
    Ele sempre pega o metrô às 06h20min. Ele. Sempre. Desce do metrô. Ele atravessa a rua e toma um café na lanchonete da esquina.
    Ela também entra na lanchonete. Ela também tem fome.
    Às 05h30min ele acaba o banho, coloca a roupa. Blusa branca, de botão. Sapato preto. Ele gosta do vermelho. Ela vê o batom surgindo na frente dela. Ele adora passar o batom. Ela não é bonita. Mas fica linda de batom vermelho. Ele machucou ela. A boca. Na quina da cama. Digo, ela. Ela machucou a boca na quina da cama. Vermelho. Tem que ser vermelho. Sorri um sorriso machucado. Puta.
    Ela entra no escritório. Cumprimenta a colega: “Obrigada pelas flores!”. Vai até o banheiro. Senta-se na privada e digita. Um belo texto. Um texto imaginário. Maravilhoso. Cheio de palavras que ninguém conhece. Vaca. Puta. Puta.
    Volta ao escritório. Cumprimenta a moça do café. Servimos bem para servirmos sempre. As folhas amarelas são requerimentos. As verdes vão para a contabilidade.

    Mas o que é isso, onde estão os papéis? Não consta nada disso! Vamos aos fatos!

    Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo. Tudo vai dar certo!

    É fácil dizer isso. Mas eu tenho de conduzir um interrogatório. Hoje em dia, não é fácil saber onde está a justiça. Eu já li isso em algum lugar? Vamos aos fatos. Foi um dia normal? A senhora tinha feito suas obrigações?

    Até o milagre acontecer ela não podia fazer nada. A não ser comprar uma calcinha de renda vermelha. Tinha visto uma na promoção do dia dos namorados. Torcer pro sexo ser um pouquinho diferente, pois há muito era o mesmo. Nunca mais as mesmas coisas. Lavar. Passar. Amar. Transar. Mesmo sem vontade. Parir. Amar. Amamentar. Aquecer. Esquecer. Amar. Sacrificar. Apanhar. Sujeitar. Compreender. Esquecer. Esquecer. Perdoar.

    Afinal de contas, qual foi o crime?

    Sua vida não tinha poesia. Ela era invisível. Sempre foi. Ninguém a via, ninguém a escutava. Sempre as mesmas coisas. Aquilo dava um aperto no coração.
    Mas hoje não. Hoje, alguma coisa aconteceu. Ela entra no prédio. Elevador panorâmico. Primeiro, segundo, terceiro, Sétimo andar. Cabalístico. Ela pisa o parapeito. Ela espera um milagre. Seu corpo bailarino flutua um momento no ar.
    No chão, os papéis espalhados. A meia calça rasgada. Onde está minha estrutura sólida? Onde está o chão sob os meus pés? O que me sustenta? O que eu posso sustentar?
    Ela muda. Dócil. Gelada. Como ele gosta.

    Onde está a pasta com a acusação? Preciso dela. Preciso saber quem são os acusados. Isso é meu ou li em algum lugar? Como posso saber? Afinal de contas, qual foi o crime?

    A gente só devia conhecer o que vive. Eu tinha sonhado com um enterro cheio de gente, flores, choro. Um enterro digno. Ser alguém uma vez na vida. Mas ninguém me vê. Digo, ela.
    Ela devia ter tomado o metrô. Às 06h20min. Mas ela ainda não entrou na estação. Ela está molhada. Ela não se levanta. Loira, 28 anos, sem calcinha. Jogada num beco escuro ordinário. Ele veste a roupa. A loira não fala nada. Como ele gosta. Ele. Ele.
    Que horas são? Que corda é essa, na sua mão?
    São 07h30min. Ela ainda não pegou o metrô. Alguma coisa se quebrou. E quando uma coisa se quebra não há mais conserto. Aquilo está quebrado para sempre.
    Alguém pode me dar um cigarro? Um cigarro? 0


- recados (32)


  • Ni Bernardes
    Ni Bernardes
    13 de janeiro de 2010 | 20:08

    Querida Nina,

    Como senti a sua falta...

    Que bom que você voltou!!!



    Ni



  • sayajin
    sayajin
    22 de outubro de 2009 | 04:04

    oi obscênica!!Nao somos amigas...mas como faz tempo que não a vejo pelo fórum passei pra saber se está tudo bem com vc!vc está bem?Cuide-se e um abc!!



  • Kris Sherazade
    Kris Sherazade
    13 de agosto de 2009 | 14:02

    Olá querida!

    Boa tarde, tudo bem?!

    Estou te add...

    Beijoss




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